Resíduos perigosos: entenda a classificação e como descartar

resíduos perigosos

Em meio às iniciativas para preservar o meio ambiente, a gestão de resíduos perigosos é um passo essencial. Afinal, quando esses materiais não recebem os cuidados adequados, podem gerar impactos que ultrapassam os limites das operações e afetam tanto os recursos naturais quanto a saúde humana.

Nesse cenário, as empresas precisam incorporar o gerenciamento correto desses materiais à rotina. Além de aprimorar suas práticas ambientais, é necessário identificar os riscos envolvidos em cada resíduo e garantir que todas as etapas, do armazenamento à destinação final, ocorram de maneira segura e adequada.

A dimensão desse desafio pode ser observada nos dados do Ibama, que reúne informações de mais de 66 mil empresas sobre os resíduos gerados, suas quantidades e classificações. Nesse cenário, reconhecer se um material é inflamável, tóxico, corrosivo, reativo ou patogênico ajuda a definir o manejo adequado e reduzir riscos ambientais.

Mas, afinal, o que são resíduos perigosos e quais cuidados as empresas devem adotar para evitar impactos ambientais? A seguir, aprenda a identificar esses materiais e fazer o descarte correto para preservar os recursos naturais e manter a conformidade ambiental.

O que são resíduos perigosos?

São materiais, substâncias ou objetos que apresentam potencial de causar efeitos adversos à saúde pública e ao meio ambiente. Esses resíduos podem provocar doenças, intoxicações, contaminações ou outros danos, conforme suas características e a forma como são manuseados, armazenados, transportados e destinados. Assim, exigem cuidados específicos durante todo o gerenciamento.

A Lei 12.305/10 da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) diz que são resultantes das atividades humanas, o que reforça a necessidade do manejo correto para evitar impactos adversos.

Para a classificação quanto à periculosidade, é importante considerar a ABNT NBR 10004:2024, norma brasileira que estabelece requisitos para esse processo, com a divisão entre resíduos de Classe 1 (Perigosos) e Classe 2 (Não Perigosos).

Resíduos de Classe 1 (Perigosos)

São considerados resíduos de Classe 1 (Perigosos) aqueles que apresentam uma ou mais características capazes de oferecer riscos à saúde humana ou ao meio ambiente, como inflamabilidade, corrosividade, reatividade, patogenicidade ou toxicidade.

Na versão anterior da norma, eram chamados de resíduos Classe I. Porém, a atual classificação de resíduos perigosos considera um processo mais amplo para determinar seu enquadramento.

Resíduos de Classe 2 (Não Perigosos)

Essa categoria inclui materiais que não atendem aos critérios estabelecidos para a classificação como resíduos perigosos.

Na versão de 2004, se dividiam em Classe II-A, não inertes, e Classe II-B, inertes, conforme determinadas propriedades e ensaios. Porém, a NBR 10004:2024 eliminou essa subdivisão e passou a utilizar somente a denominação Classe 2 (Não Perigosos).

Agora que você já sabe o que são resíduos perigosos, confira suas principais características.

Quais as características e as classificações dos resíduos perigosos?

Esses materiais podem ser inflamáveis, corrosivos, tóxicos, reativos e patogênicos, com diferentes tipos de riscos à saúde humana e ao meio ambiente. Conforme a ABNT NBR 10004:2024, a avaliação dessas propriedades integra o processo de classificação.

Saiba mais sobre o que são resíduos perigosos de acordo com as características de periculosidade.

Inflamabilidade

A inflamabilidade indica a capacidade de um resíduo de entrar em combustão ou contribuir para a propagação do fogo em determinadas condições. Dessa forma, materiais que apresentam essa característica exigem cuidados específicos durante o armazenamento, transporte, tratamento e destinação.

A avaliação considera critérios específicos, como ponto de fulgor, capacidade de provocar incêndio por fricção, absorção de umidade ou mudanças químicas espontâneas, classificação de gases comprimidos e comportamento pirofórico.

A tinta à base de solventes é um exemplo de resíduo perigoso inflamável, pois pode conter substâncias capazes de entrar em combustão quando expostas a fontes de ignição. Outros exemplos incluem óleo, borras oleosas e tecidos contaminados com líquidos inflamáveis

Corrosividade

A corrosividade está relacionada à capacidade de um resíduo de causar danos por ação química, especialmente quando entra em contato com determinados materiais ou tecidos.

Um exemplo de resíduo perigoso corrosivo é o ácido sulfúrico, presente em algumas baterias e processos industriais, que pode causar queimaduras e corroer materiais sem o manejo adequado.

Por apresentar potencial de causar acidentes, lesões ou danos ambientais, um material com essa característica deve receber tratamento adequado durante as etapas de gerenciamento, desde a geração até a destinação final.

Reatividade

Resíduos reativos apresentam potencial para sofrer transformações químicas capazes de gerar situações perigosas, como é o caso de materiais que reagem violentamente com água, liberam gases tóxicos ou sofrem reações explosivas, como peróxidos orgânicos e metais alcalinos (sódio e potássio, por exemplo).

Conforme suas propriedades, podem reagir de maneira intensa em determinadas condições, inclusive com liberação de gases ou ocorrência de reações que ofereçam riscos à saúde humana e ao meio ambiente.

Toxicidade

A toxicidade corresponde ao potencial de provocar efeitos adversos à saúde humana ou ao meio ambiente devido à presença de substâncias perigosas.

Um exemplo de resíduo perigoso com essa característica é o material contaminado com chumbo, que pode apresentar substâncias em concentrações que atendem aos critérios estabelecidos pela norma, cuja avaliação também considera a Lista de Substâncias Conhecidamente Tóxicas (LSCT).

Dessa forma, a análise da composição do material é fundamental para verificar se apresenta características que justificam seu enquadramento como resíduos de Classe I — ou Classe 1, conforme a classificação de resíduos perigosos mais recente.

Patogenicidade

A patogenicidade está relacionada à presença ou possibilidade de presença de agentes biológicos capazes de causar doenças em seres humanos, animais ou plantas.

Nesse grupo podem estar materiais hospitalares que apresentam microrganismos patogênicos ou outros agentes biológicos capazes de oferecer riscos. Assim, resíduos com essa característica exigem procedimentos específicos para evitar a exposição e a disseminação de agentes potencialmente prejudiciais.

Confira mais exemplos no próximo tópico.

Quais os exemplos de resíduos perigosos?

Os materiais que exigem cuidados específicos incluem:

  • pilhas e baterias: seus metais pesados contaminam solo e água;
  • lâmpadas fluorescentes: o mercúrio pode intoxicar pessoas e animais;
  • produtos químicos: resíduos que apresentam inflamabilidade, corrosividade e reatividade podem gerar reações perigosas e danos ao meio ambiente;
  • materiais radioativos: são cancerígenos;
  • material hospitalar: sem o devido tratamento e descarte, representa riscos graves à saúde pública;
  • agrotóxicos: podem contaminar o solo e a água, além de afetar a saúde de pessoas e animais.

Para evitar danos à saúde e ao meio ambiente, é importante fazer a gestão adequada desses materiais e garantir um descarte seguro. Baixe agora nosso ebook sobre o tema.

baixe o ebook guia para gestão de resíduos em empresas

Como fazer o descarte de resíduos?

Cada etapa exige atenção para garantir segurança e conformidade:

  1. Identificar e classificar os materiais conforme composição, origem e características de periculosidade;
  2. Segregar e acondicionar corretamente, utilizando recipientes resistentes, adequados e identificados;
  3. Armazenar em local apropriado, evitando vazamentos, incompatibilidades e exposição indevida;
  4. Transportar conforme as exigências aplicáveis, com prestador devidamente regularizado;
  5. Destinar em instalações autorizadas e compatíveis com as características do material;
  6. Registrar e documentar movimentação, transporte de resíduos, tratamento e destinação para comprovar a regularidade.

O cumprimento de cada etapa ajuda a prevenir impactos ambientais e consequências legais decorrentes de falhas no gerenciamento. Saiba quais são a seguir.

Quais os riscos do manejo inadequado de resíduos?

O descarte irregular pode provocar contaminação do solo, da água e do ar, além de expor pessoas, animais e ecossistemas a substâncias nocivas. Para as empresas, as consequências também incluem multas, obrigações de reparação, interrupção de atividades e outras sanções previstas na legislação ambiental, conforme a gravidade da ocorrência.

Por exemplo, quando ocorre o descarte em rios ou oceanos, os resíduos prejudicam o ecossistema e afetam atividades econômicas essenciais, como a pesca e o turismo, pois deixam as águas impróprias para uso. Ou seja, além de violar a legislação ambiental, a prática compromete vidas humanas, a fauna e a flora locais.

Portanto, além de adotar cuidados na operação, é importante contar com um planejamento estruturado para organizar responsabilidades e procedimentos em todas as etapas do processo.

Leia também: Gestão de resíduos: o que é e quais são as etapas

Como o PGRS contribui para o gerenciamento de resíduos?

O documento organiza as etapas relacionadas ao gerenciamento de resíduos que a empresa gera ao longo do seu ciclo produtivo, desde a identificação e segregação até o armazenamento, transporte, tratamento e destinação final. Além disso, esse registro deve considerar as características e os riscos associados a cada material.

Para os resíduos classificados como Classe 1 (Perigosos), o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) ganha ainda mais importância, já que o manejo inadequado pode causar grandes impactos ambientais e riscos à saúde.

Na prática, uma gestão estruturada permite que a empresa saiba quais resíduos gera, em quais quantidades, como deve armazená-los, quem pode transportá-los e qual destinação é adequada. Dessa forma, o PGRS deixa de ser apenas uma exigência documental e passa a apoiar o controle da operação e a prevenção de riscos ambientais.

Para tornar esse controle mais eficiente e reduzir tarefas manuais, a tecnologia pode apoiar a organização do PGRS e centralizar as informações necessárias para acompanhar cada etapa do gerenciamento.

Como o software Ambisis auxilia na gestão de resíduos?

Centralizar informações, automatizar tarefas e acompanhar cada etapa do gerenciamento ajuda a reduzir erros, ganhar eficiência e manter a operação em conformidade. Com a plataforma, sua equipe controla documentos, movimentações, custos e indicadores em um único ambiente, facilitando decisões e ações preventivas no dia a dia.

Para tornar essa rotina mais simples, o software de gestão de resíduos da Ambisis oferece recursos, como:

  • monitoramento de MTRs e CDFs: acompanhe movimentações em tempo real sem precisar acessar diferentes portais ou depender de terceiros;
  • regularização ambiental: organize PGRS, DARS, licenças, alvarás e outros documentos necessários para manter as obrigações em dia;
  • automação de processos: reduza tarefas manuais e o risco de erros com automações e recursos de inteligência artificial;
  • controle de movimentação e custos: acompanhe volumes gerados, armazenados, transportados e destinados, identificando gargalos e oportunidades de melhoria;
  • gestão centralizada: reúna informações e processos ambientais em uma única plataforma, facilitando o acesso aos dados pela equipe;
  • acompanhamento pelo aplicativo: consulte informações e acompanhe atividades também pelo aplicativo móvel da Ambisis.

Quer simplificar a gestão de resíduos perigosos da sua empresa? Solicite uma demonstração gratuita do Ambisis e conheça os recursos da plataforma.

FAQ

Qual a diferença entre resíduo não perigoso e perigoso?

A principal diferença está nos riscos à saúde humana e ao meio ambiente. Conforme a ABNT NBR 10004:2024, materiais que atendem aos critérios de periculosidade pertencem à Classe 1. Já aqueles que não apresentam essas características integram a Classe 2. Portanto, cada categoria exige procedimentos específicos de gerenciamento.

Quem é responsável pelo descarte?

A responsabilidade recai, inicialmente, sobre o gerador, que deve garantir o gerenciamento adequado desde a origem até a destinação final. Além disso, transportadores e destinadores precisam cumprir suas obrigações legais. Dessa forma, cada participante da cadeia responde pelas atividades que executa, conforme a legislação ambiental aplicável ao caso.

O que é logística reversa de resíduos?

Esse processo organiza o retorno de determinados produtos e embalagens após o consumo para reaproveitamento, tratamento ou destinação ambientalmente adequada. Como fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e consumidores compartilham responsabilidades, o sistema reduz descartes inadequados, favorece a recuperação de materiais e diminui impactos ambientais ao longo da cadeia.

Quais leis regulamentam o gerenciamento de resíduos?

No Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) estabelece diretrizes para a gestão desses materiais e atribui responsabilidades aos geradores. Além disso, empresas sujeitas ao PGRS devem estruturar procedimentos para reduzir, armazenar, transportar e destinar adequadamente os resíduos, conforme as exigências aplicáveis à atividade.

Quais documentos são necessários para o gerenciamento de resíduos?

Os registros incluem o PGRS, licenças ambientais, Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR), Certificado de Destinação Final (CDF) e comprovantes relacionados ao tratamento. Além disso, a documentação pode variar conforme atividade, material e exigências locais. Por isso, a empresa deve manter informações atualizadas para comprovar a destinação adequada.

Compartilhe:

Leia também