Impacto ambiental: como a empresa pode diminuir seus efeitos?

impacto ambiental exemplos

Toda atividade empresarial interage com água, solo, ar, energia, matérias-primas e comunidades. Quando essas relações alteram o ambiente, surge o impacto ambiental, que varia conforme a atividade, a intensidade e a área atingida. Por essa razão, entender essas interações é o primeiro passo para agir sobre seus efeitos.

Esse cuidado ganha dimensão quando se observa a abrangência da fiscalização no país. Segundo um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), foram registrados 354.108 empreendimentos e atividades entre 1989 e 2024 sujeitas ao controle fiscal ambiental que não constam no Anexo VIII da  Lei nº 6.938/1981.

Já um estudo publicado em 2026 pelo Brazilian Journal of Production Engineering, conduzido em uma indústria de máquinas agrícolas, registrou uma redução de 49,4% nos impactos ambientais significativos.

Por isso, neste conteúdo, você entenderá o conceito, conhecerá os principais tipos e exemplos de impacto ambiental no Brasil. A partir dessa base, a discussão avança para a forma como as empresas podem identificar aspectos, avaliar sua relevância e definir medidas de controle para os efeitos associados às próprias atividades. Continue a leitura!

O que é impacto ambiental?

Segundo o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), impacto ambiental é qualquer alteração nas propriedades físicas, químicas ou biológicas do meio ambiente causada por matéria ou energia resultante das atividades humanas. Nesse cenário, seus efeitos podem atingir a população, a biota, as condições sanitárias ou a qualidade dos recursos.

Em outras palavras, é a alteração provocada por uma intervenção humana no ambiente, seja por uma operação industrial, uma obra, o uso de recursos naturais ou outra atividade.

Aquecimento global, rarefação da camada de ozônio, enchentes, diminuição dos mananciais, erosões, desmatamento e extinção de espécies são alguns dos exemplos de impactos negativos associados às intervenções humanas.

Além dos efeitos adversos, existem alterações favoráveis, como recuperação de rios, replantio de áreas desmatadas, criação de áreas preservadas, campanhas de educação ambiental e desenvolvimento de projetos ambientais.

Nesse sentido, a classificação entre o impacto ambiental positivo e negativo depende do efeito produzido pela intervenção. Contudo, ações favoráveis muitas vezes estão associadas à recuperação, à prevenção ou à compensação de danos anteriores.

Essa distinção ajuda a compreender a amplitude do conceito e prepara a análise das diferentes classificações existentes. A partir dessa definição, fica mais simples entender os tipos de impacto ambiental e perceber por que uma mesma atividade pode produzir efeitos com características distintas.

Quais são os tipos de impacto ambiental?

Os impactos ambientais são classificados em:

  • direto: decorre diretamente da ação realizada;
  • indireto: surge como consequência de uma intervenção inicial;
  • local: fica restrito à área em que ocorre;
  • regional: abrange uma área territorial ampla;
  • estratégico: apresenta relevância coletiva e maior abrangência;
  • imediato: manifesta seus efeitos logo após a ocorrência da ação;
  • de médio e longo prazos: apresenta consequências que surgem ou se intensificam com o tempo;
  • temporário: ocorre durante um determinado período;
  • permanente: mantém consequências por um período prolongado.

Embora essa classificação ajude a organizar a análise, cada categoria apresenta características próprias que interferem na forma de avaliar e controlar seus efeitos. A seguir, o quadro reúne os principais tipos de impacto ambiental, suas características e exemplos para facilitar essa diferenciação.

Tipo de impacto ambientalComo se caracterizaExemplo
DiretoDecorre diretamente da ação realizada.Derramamento de óleo, emissão de fumaça industrial ou supressão de vegetação.
IndiretoSurge como consequência adicional da intervenção inicial.Assoreamento de um rio após a retirada da cobertura vegetal das margens.
LocalFica restrito à área em que a alteração ocorreu.Descarte inadequado de resíduos em um terreno.
RegionalAbrange uma área maior, envolvendo diferentes localidades.Poluição de um rio que atravessa diversas comunidades.
EstratégicoApresenta relevância coletiva e maior abrangência territorial.Grandes intervenções capazes de afetar diferentes territórios.
ImediatoProduz efeitos logo após a ocorrência da ação.Queima de árvores e emissão instantânea de poluentes.
De médio e longo prazosApresenta consequências que podem surgir ou se intensificar com o tempo.Poluição do solo e perda de espécies.
TemporárioOcorre durante determinado período e tende a cessar após o fim da causa.Poluição sonora provocada por um evento.
PermanenteMantém consequências por um período prolongado.Alterações associadas à emissão de gases de efeito estufa e ao aquecimento global.

O quadro ajuda a entender a natureza e a extensão de cada alteração, mas ainda falta uma etapa essencial: avaliar quais aspectos da operação merecem prioridade. Para visualizar como essas alterações se manifestam na prática, alguns casos ocorridos no Brasil ajudam a dimensionar suas consequências.

Exemplos de impacto ambiental no Brasil

Entre os principais acontecimentos registrados no Brasil estão as enchentes do Rio Grande do Sul, em 2024, e os rompimentos das barragens de Mariana, em 2015, e Brumadinho, em 2019. Esses episódios mostram como diferentes alterações podem atingir o ambiente, a infraestrutura, a economia e a população.

Embora apresentem características diferentes, ajudam a visualizar como a dimensão de uma alteração pode ultrapassar a área imediatamente afetada. Por isso, observar cada um permite compreender melhor a relação entre causa, extensão, duração e consequências.

Enchentes no Rio Grande do Sul (2024)

Entre o final de abril e o início de maio de 2024, fortes chuvas atingiram o Rio Grande do Sul e provocaram uma das maiores tragédias climáticas registradas no estado. A dimensão do episódio provocou impactos amplos sobre a população, a infraestrutura, os serviços e as atividades econômicas.

Alguns dados sobre a enchente ajudam a dimensionar o episódio:

  • 2,4 milhões de pessoas diretamente afetadas;
  • 478 municípios atingidos;
  • 183 mortes;
  • 806 pessoas feridas;
  • 27 pessoas desaparecidas, conforme levantamento consolidado até dezembro de 2024;
  • cerca de 600 mil pessoas ficaram desabrigadas no auge do desastre;
  • aeroporto Salgado Filho fechado por cinco meses.

O evento mostra, portanto, que as consequências ambientais podem alcançar diferentes dimensões e envolver infraestrutura, saúde, economia e condições de vida. Essa amplitude também aparece de forma contundente nos desastres relacionados à mineração, como o rompimento ocorrido em Mariana.

Rompimento da barragem em Mariana, Minas Gerais (2015)

Em 5 de novembro de 2015, a barragem de Fundão, da mineradora Samarco, rompeu-se em Mariana (MG), liberando rejeitos que atingiram o rio Gualaxo do Norte, chegaram ao rio Doce e avançaram até o litoral do Espírito Santo.

Com o rompimento, Bento Rodrigues e outras localidades foram atingidas, além de ocorrerem alterações na qualidade da água e dos sedimentos. Segundo o Ibama, cerca de 45 milhões de metros cúbicos de rejeitos foram lançados no ambiente, com o material percorrendo 663,2 quilômetros de cursos d’água.

O episódio é reconhecido pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico como o maior desastre ambiental da história do Brasil e o pior acidente com barragens de rejeitos já registrado no mundo.

Além da extensão territorial, o caso evidencia como uma atividade produtiva pode gerar efeitos sobre recursos hídricos, comunidades e ecossistemas.

Rompimento da barragem em Brumadinho, Minas Gerais (2019)

Pouco mais de três anos depois, em 25 de janeiro de 2019, ocorreu o rompimento da Barragem I da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho (MG). Na sequência, também foram atingidas as barragens B-IV e B-IV-A, com o carreamento de aproximadamente 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos.

Os principais números do episódio são:

  • 272 pessoas mortas;
  • 26 municípios reconhecidos como atingidos no acordo de reparação.

Como visto, os efeitos de uma atividade podem alcançar muito além do espaço em que determinada operação acontece. Por essa razão, compreender os exemplos ajuda a dimensionar o problema, mas a gestão empresarial exige uma etapa anterior de identificação, classificação e priorização dos aspectos associados a cada processo.

Como a empresa faz a identificação e a avaliação de impacto ambiental?

A identificação e a avaliação começam pelo mapeamento dos aspectos relacionados a cada atividade e dos efeitos decorrentes dessas interações. Com esse levantamento, é possível classificar a relevância de cada ocorrência, aplicar critérios de significância e definir prioridades para as medidas de controle e acompanhamento.

Na prática, esse processo começa pelo mapeamento das atividades, dos processos e das condições operacionais que podem gerar alterações no ambiente. Em seguida, a empresa relaciona cada aspecto ao possível efeito, verifica sua significância e define respostas compatíveis com o nível de prioridade identificado.

Para organizar essa análise, a empresa pode recorrer a uma matriz que reúna os aspectos e impactos identificados. Em seguida, deve-se aplicar critérios para definir quais são mais relevantes. Por fim, conforme as características do empreendimento, é necessário verificar a necessidade de avaliações ambientais vinculadas ao licenciamento.

Esses três pontos ajudam a transformar o levantamento inicial em uma rotina de gestão.

Matriz de Aspectos e Impactos Ambientais (MAIA)

A matriz de impactos ambientais organiza a relação entre áreas, processos, atividades, aspectos e possíveis efeitos, reunindo essas informações em uma estrutura que facilita a análise. No estudo de 2026, a ferramenta também considerou fatores como estágio do ciclo de vida, temporalidade, incidência, situação operacional, partes interessadas e requisitos legais.

Assim, a MAIA não precisa funcionar apenas como um registro estático. Na pesquisa citada no início do artigo, as informações reunidas na ferramenta foram utilizadas para monitorar os riscos identificados, as ações corretivas e os projetos de melhoria, aproximando a análise das decisões de gestão.

Essa organização também se relaciona à lógica da ISO 14001, que orienta a identificação dos aspectos ambientais associados às atividades, produtos e serviços que a organização pode controlar ou influenciar.

A norma também prevê a identificação dos aspectos considerados significativos, o que reforça a importância de estabelecer critérios para priorizar controles e acompanhar o desempenho ambiental.

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Critérios de significância

Depois de identificar os aspectos e seus possíveis efeitos, a organização precisa estabelecer critérios para definir quais merecem maior prioridade. Ainda no estudo mencionado, a avaliação considerou abrangência, severidade e probabilidade ou frequência, além das condições dos controles existentes.

A abrangência indicou se o efeito ficava restrito à área de trabalho, alcançava outros setores ou chegava à vizinhança. Já a severidade considerou desde situações de baixo potencial até ocorrências capazes de provocar danos severos, esgotamento de recursos naturais ou prejuízos relevantes. Por fim, a frequência observou a recorrência, diferenciando eventos raros, regulares e contínuos.

Com esses parâmetros, a empresa consegue estabelecer prioridades e direcionar a atuação aos pontos que exigem maior atenção.

Qual é a conexão dos impactos ambientais com o EIA/RIMA?

No universo corporativo, a identificação e a mitigação dos efeitos de determinadas atividades integram o licenciamento ambiental de empreendimentos. Nesse processo, o EIA e o RIMA são os principais estudos relacionados à avaliação de impacto ambiental de projetos com potencial de significativa degradação ambiental previstos na legislação. 

O EIA (Estudo de Impacto Ambiental)  reúne análises técnicas sobre o projeto, seus impactos prováveis, alternativas e medidas destinadas a prevenir, minimizar ou compensar alterações relevantes. A exigência ocorre para atividades ou empreendimentos capazes de causar significativa degradação ambiental, nos termos da Resolução CONAMA nº 001/1986

Como complemento, o RIMA (Relatório de Impacto Ambiental) apresenta as principais conclusões do EIA em linguagem acessível, com recursos como mapas, quadros e gráficos, para facilitar a compreensão das informações pela sociedade. 

Compreender essa diferença também ajuda a empresa a reconhecer quais medidas pode adotar para controlar os efeitos de suas próprias atividades. 

Como reduzir o impacto ambiental nas empresas?

A redução do impacto ambiental depende de medidas de controle adequadas aos aspectos identificados na operação. Por esse motivo, a empresa deve acompanhar indicadores, corrigir desvios e revisar periodicamente os critérios adotados, direcionando esforços para os pontos que apresentam maior relevância ambiental específica e exigem atenção.

Para manter esse controle contínuo, é importante centralizar documentos, evidências, requisitos e indicadores ambientais em uma estrutura que facilite a consulta e o acompanhamento de pendências. Com essas informações organizadas, o gestor consegue monitorar as prioridades definidas e agir prontamente sobre os pontos que exigem atenção.

Nesse processo, uma plataforma especializada pode apoiar a rotina de gestão ambiental, ao reunir informações e processos em um mesmo ambiente e facilitar o acompanhamento das atividades, dos documentos e dos requisitos aplicáveis.

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Lidar com o impacto ambiental exige mais do que reconhecer os efeitos produzidos por uma atividade. A empresa precisa conhecer seus processos, identificar os aspectos associados, avaliar a significância de cada ocorrência e definir controles proporcionais aos riscos encontrados. Com essa sequência, a gestão ambiental ganha critérios para orientar decisões e acompanhar resultados.

Nesse percurso, a Ambisis auxilia empresas na organização da gestão ambiental, reunindo informações e processos necessários para acompanhar requisitos, documentos, indicadores e evidências. Assim, gestores conseguem estruturar a rotina ambiental e acompanhar os efeitos associados às operações com uma visão mais integrada.

Para conhecer os recursos disponíveis e entender como a plataforma pode apoiar a gestão ambiental da sua empresa, solicite uma demonstração e veja como o sistema da Ambisis pode se encaixar na rotina da sua equipe.

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