Entre a geração de um material e sua destinação final, existe uma etapa que exige cuidados específicos nas empresas: o armazenamento temporário de resíduos. Nesse intervalo, é fundamental seguir critérios rigorosos de identificação, segregação e acondicionamento para evitar riscos ambientais e assegurar o controle adequado durante a operação.
A dimensão desse cuidado aparece em números. Uma análise do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) elaborada em 2025, estima que mais de 2 milhões de grandes geradores de resíduos sólidos urbanos no Brasil foram responsáveis pela produção de cerca de 19,93 milhões de toneladas anuais de dejetos.
Diante desse volume, fica clara a urgência e importância do gerenciamento correto, onde cada etapa deve considerar as características dos resíduos e as exigências aplicáveis até a destinação final. Por isso, este conteúdo detalha como funciona o armazenamento, as normas que orientam essa atividade e os cuidados necessários para manter a operação em conformidade.
Além dos requisitos técnicos, fatores como classificação, prazos, documentação e rastreabilidade integram esse controle. Continue a leitura para entender como organizar o armazenamento temporário e monitorar os resíduos durante essa etapa.
O que é o armazenamento temporário de resíduos?
Esse tipo de armazenamento corresponde à etapa intermediária entre a geração e a destinação final, na qual os materiais permanecem, por determinado período, em condições adequadas de acondicionamento, identificação e segregação. A medida visa preservar a segurança da operação e evitar riscos ao meio ambiente e às pessoas.
Diferentemente da disposição final, a permanência temporária no local não encerra o gerenciamento dos materiais. Ou seja, o gerador permanece responsável pelo encaminhamento adequado, considerando as características dos resíduos e as exigências aplicáveis.
Nesse contexto, a Lei nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), estabelece diretrizes gerais para o gerenciamento de resíduos sólidos no país. Como complemento às disposições legais, a ABNT NBR 10004 apresenta critérios para a classificação dos resíduos.
A partir dessa classificação, é possível compreender as categorias previstas pela norma e avançar para os procedimentos de gerenciamento aplicáveis a cada tipo.
Como funciona a classificação de resíduos sólidos?
Desde a atualização da ABNT NBR 10004, publicada em 2024, o sistema passou a classificar os materiais em duas categorias, conforme sua periculosidade:
- Classe 1: resíduos perigosos que, por apresentarem características que oferecem riscos à saúde pública ou ao meio ambiente, exigem cuidados específicos no gerenciamento;
- Classe 2: resíduos não perigosos, que não se enquadram nos critérios de periculosidade e seguem requisitos compatíveis com suas características e composição.
A mudança substituiu a estrutura anterior, que utilizava Classe I, Classe II-A e Classe II-B. No entanto, como há um período de transição até o fim de 2026, documentos e referências ainda podem apresentar a classificação anterior.
Em situações específicas, como no gerenciamento de resíduos hospitalares, também existem exigências relacionadas à elaboração e à manutenção do Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS), previsto pela Resolução CONAMA 358/2005.
Por essa razão, é fundamental identificar a versão normativa vigente antes de definir os cuidados aplicáveis ao armazenamento temporário de resíduos sólidos.
NBR 12235 para armazenamento de resíduos: o que a norma exige?
A NBR 12235 define critérios para o armazenamento de resíduos sólidos perigosos, considerando as condições do local, o acondicionamento, a identificação dos materiais e as medidas de segurança. O objetivo da norma é mitigar riscos à saúde e ao meio ambiente durante o período em que esses resíduos permanecem armazenados.
Nesse contexto, o armazenamento deve considerar as propriedades físicas e químicas dos materiais e as medidas compatíveis com os riscos envolvidos. A referência à NBR 11174, por sua vez, aparece na regulamentação técnica relacionada ao armazenamento das antigas classes II e III, que correspondem à nomenclatura anterior da classificação de resíduos.
Além da classificação, a norma estabelece uma base para definir as condições do local, dos recipientes e dos controles necessários para a permanência dos materiais. Compreender os critérios técnicos da NBR 12235 para o armazenamento de resíduos facilita o planejamento da etapa seguinte: a estruturação necessária para mantê-los em condições adequadas.
Como deve ser a área de armazenamento temporário de resíduos sólidos?
Os requisitos físicos da área de armazenamento devem considerar as características dos materiais e os riscos associados à sua permanência no local, tais como:
- piso impermeável e adequado aos resíduos;
- cobertura e ventilação;
- sistema de drenagem e contenção;
- iluminação suficiente;
- acesso controlado;
- sinalização e identificação dos recipientes.
Além da estrutura, a organização do espaço deve facilitar inspeções, movimentações seguras e a resposta a eventuais ocorrências. Afinal, o armazenamento temporário pode ser realizado pela própria empresa geradora até a chegada do transporte, sem afastar a responsabilidade pelo gerenciamento adequado e pela destinação dos resíduos, conforme as exigências aplicáveis.
Nesse sentido, também é necessário diferenciar os espaços utilizados no próprio estabelecimento daqueles destinados ao armazenamento externo.
Armazenamento interno e externo: quais são as diferenças?
As duas situações atendem a momentos diferentes da gestão e exigem avaliação conforme o tipo de operação: interno (no próprio estabelecimento gerador, antes da coleta ou transferência) ou externo (em instalação destinada ao recebimento temporário de resíduo, dependendo das características do resíduo, da estrutura utilizada e das exigências aplicáveis.
Quais são os prazos para o armazenamento temporário de resíduos?
Depende do tipo de resíduo, das características da operação e das exigências ambientais aplicáveis:
- grandes geradores: devem verificar as regras específicas do órgão ambiental e as condicionantes da licença;
- pequenos geradores: também precisam observar os critérios definidos para cada atividade e localidade;
- resíduos oleosos: dependendo da região, podem estar sujeitos a exigências específicas, como o prazo de 90 dias previsto em condições da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB).
Portanto, não há um prazo nacional único aplicável indistintamente a todas as situações. As empresas precisam consultar a legislação pertinente, a licença ambiental e eventuais condicionantes antes de definir o período de permanência dos materiais.
Além do período de permanência, a separação adequada dos materiais exige atenção, especialmente para evitar incompatibilidades durante o armazenamento.
Como fazer a segregação de resíduos e evitar incompatibilidades?
A segregação deve considerar as características e a compatibilidade química dos materiais:
- ácidos e bases: mantê-los separados para evitar reações;
- oxidantes e inflamáveis: deixá-los afastados para reduzir riscos de incêndio;
- materiais incompatíveis: organizar por grupos, com recipientes e identificação adequados;
- resíduos: separá-los conforme suas propriedades e riscos.
Para visualizar essas combinações de forma prática, consulte a tabela de incompatibilidade química:
| Resíduos | Mantenha separado de | Principal risco |
| Ácidos | Bases | Reações químicas. |
| Oxidantes | Inflamáveis | Intensificação de incêndios. |
| Materiais incompatíveis. | Grupos com propriedades reativas. | Reações e acidentes. |
Esse cuidado também contribui para uma contenção de resíduos mais segura e prepara a operação para os registros que acompanham o armazenamento temporário de resíduos.
Quais documentos e registros devem acompanhar o armazenamento de resíduos perigosos?
A documentação necessária inclui:
- rotulagem: identificação dos recipientes e dos resíduos armazenados;
- inventário: relação dos materiais e das respectivas quantidades;
- Ficha com Dados de Segurança de Resíduos (FDSR): informações de segurança relacionadas aos resíduos;
- registros: inspeções, movimentações e ocorrências;
- controles internos: acompanhamento de prazos, condições da área e destinação.
Manter os documentos associados aos materiais facilita o acompanhamento do armazenamento de resíduos perigosos e prepara a empresa para comprovar o controle de cada etapa.
O que a fiscalização verifica no armazenamento temporário de resíduos sólidos?
Durante uma fiscalização, a conformidade da operação pode ser analisada a partir de diferentes elementos:
- área: organização, condições físicas e acesso;
- resíduos: identificação, acondicionamento e compatibilidade;
- documentação: inventários, registros e controles;
- segurança: inspeções e plano de emergência;
- gestão: cumprimento das exigências ambientais aplicáveis.
Além da adequação do local, as consequências dependem da natureza da irregularidade e da legislação utilizada no processo. O Decreto Federal nº 6.514/2008 prevê multa de R$ 500 a R$ 2 milhões para o armazenamento irregular de produtos ou substâncias tóxicas, perigosas ou nocivas. A penalidade se aplica quando a conduta ocorre em desacordo com as exigências legais ou regulamentares.
Como o valor da multa depende do enquadramento da infração, a empresa deve manter evidências das medidas adotadas e dos controles realizados.
Como manter o armazenamento temporário de resíduos em conformidade?
O checklist abaixo reúne os principais pontos de atenção:
- resíduos identificados e rotulados;
- materiais separados conforme compatibilidade;
- piso adequado e em boas condições;
- área protegida contra intempéries
- acesso controlado;
- recipientes íntegros e compatíveis com os materiais;
- ausência de vazamentos;
- documentação atualizada;
- registros de inspeção disponíveis;
- plano de emergência acessível;
- prazos de armazenamento acompanhados.
Após essa organização, o passo seguinte é conectar as informações operacionais aos registros de gestão e rastreabilidade ambiental.
Do checklist à rotina: organize a gestão de resíduos. Tenha em mãos um guia e planilhas para estruturar os controles e acompanhar a gestão de resíduos da empresa.

Como o armazenamento temporário se relaciona ao PGRS e ao MTR?
O Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) reúne diretrizes para o gerenciamento dos resíduos desde a geração até a destinação final. Já o Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR) registra informações sobre a movimentação dos materiais. Juntos, os instrumentos conectam armazenamento, transporte e destinação em uma rotina de controle.
Na prática, o PGRS orienta como o armazenamento temporário deve ocorrer dentro do gerenciamento definido pela empresa, enquanto o MTR registra a movimentação dos resíduos na etapa de transporte. A relação entre os documentos mantém o armazenamento conectado às demais etapas e evita que essa fase seja tratada de forma isolada no controle dos resíduos.
A tecnologia também auxilia na organização dessas informações ao reunir documentos, registros e dados relacionados ao gerenciamento. Com essa estrutura, o acompanhamento das etapas fica mais organizado, facilita a consulta aos documentos e permite relacionar as informações do armazenamento, do transporte e da destinação.
Simplifique o controle de armazenamento temporário de resíduos da sua empresa com a Ambisis!
Depois de definir classificação, estrutura, prazos e documentação, a rotina exige acompanhamento constante para evitar pendências. Nesse cenário, o software de gestão ambiental da Ambisis centraliza as informações e reúne os controles necessários para acompanhar a gestão de resíduos em uma única plataforma.
A solução mantém o inventário de resíduos atualizado, monitora prazos e vencimentos por meio de alertas e organiza documentos e registros da operação. Com essas informações centralizadas, a equipe identifica pendências com mais rapidez, consulta o histórico de atividades e mantém os controles prontos para auditorias.
Além desses recursos, a Ambisis integra diferentes processos da gestão ambiental, conectando informações essenciais ao acompanhamento da sua rotina. Conheça a plataforma e descubra como nossas soluções podem otimizar o controle de resíduos da sua empresa.



