Pegada de carbono corporativa: guia para empresas

pegada de carbono

Uma empresa pode conhecer cada etapa da própria operação e, ainda assim, deixar escapar uma parte importante da história que seus números contam: o impacto climático associado ao que produz, consome, transporta e descarta. É nesse ponto que a pegada de carbono ajuda a transformar atividades cotidianas em uma medida capaz de revelar de onde vêm as emissões e quais áreas merecem atenção.

Essa dimensão aparece nos números da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Segundo o Balanço Energético Nacional 2026, as emissões antrópicas associadas à matriz energética brasileira chegaram a 440,2 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2025, sendo 220,8 milhões relacionadas ao setor de transportes. O levantamento também mostra que a matriz energética da indústria brasileira apresentou 65,1% de renovabilidade no mesmo ano.

Por isso, olhar para as emissões exige mais do que observar um número isolado. É preciso entender quais atividades contribuem para esse resultado, como os dados são organizados e de que maneira uma empresa pode transformar essas informações em uma visão confiável da própria operação.

Com essa base, este conteúdo explica o que é pegada de carbono, como os escopos organizam as emissões, como calcular e por que essa mensuração importa para as empresas. Continue a leitura para acompanhar esse percurso do conceito à aplicação prática.

Pegada de carbono: o que é?

É a quantidade de gases de efeito estufa (GEE) associada a uma atividade, organização, produto ou pessoa, considerando emissões diretas e indiretas e expressando o resultado em toneladas de CO₂ equivalente (tCO2e). No ambiente empresarial, essa medida ajuda a dimensionar impactos climáticos relacionados às operações e à cadeia de valor.

Embora o conceito também possa ser aplicado ao consumo individual, o olhar corporativo considera um conjunto mais amplo de fontes, como combustíveis utilizados pela operação, energia adquirida, processos industriais, transporte, resíduos e atividades da cadeia de valor. Por isso, os limites definidos para a análise fazem diferença no resultado e determinam quais emissões entram na contabilização.

Essa mensuração ganhou espaço diante de compromissos ESG, metas climáticas e iniciativas relacionadas ao Acordo de Paris, que passaram a exigir informações mais consistentes sobre emissões. No país, a criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, pela Lei nº 15.042/2024, acrescenta outra frente a esse cenário, aproximando a gestão das emissões das discussões sobre o mercado de carbono no Brasil e sobre mecanismos como o crédito de carbono.

Por essa razão, conhecer a dimensão das emissões depende de organizar as informações que dão origem ao resultado. Não por acaso, uma pesquisa da FGV mostrou que 90% das organizações participantes elaboram inventário de emissões GEE, enquanto 88% seguem o método do Programa Brasileiro GHG Protocol.

Essa estrutura ajuda a entender quais fontes precisam ser consideradas e conduz, naturalmente, à divisão em diferentes escopos.

O que são os escopos de emissão?

Os três escopos do GHG Protocol organizam as emissões conforme a relação com a empresa: escopo 1 reúne fontes diretas, escopo 2 abrange energia comprada, e escopo 3, demais emissões indiretas da cadeia. O terceiro escopo costuma concentrar a parcela das emissões corporativas, mas apresenta maior dificuldade de mensuração.

Para visualizar essa divisão com mais facilidade, a comparação abaixo reúne os principais exemplos de cada categoria.

EscopoO que contemplaExemplos
Escopo 1Emissões diretas de fontes pertencentes ou controladas pela organização.Combustão de combustíveis em equipamentos próprios, frotas próprias e processos industriais.
Escopo 2Emissões indiretas associadas à geração da energia adquirida e consumida.Eletricidade comprada.
Escopo 3Outras emissões indiretas da cadeia de valor.Transporte de funcionários, logística terceirizada, viagens corporativas, fornecedores e resíduos enviados para aterro.

Essa classificação mostra por que o levantamento corporativo pode crescer bastante quando ultrapassa os limites físicos da empresa. O Escopo 3, por exemplo, reúne diferentes relações da cadeia de valor e, em muitas organizações, concentra uma parcela expressiva das emissões, embora também seja mais complexo de mensurar. Com essa estrutura definida, fica mais fácil avançar para o cálculo dos escopos do GHG Protocol.

Como calcular a pegada de carbono?

O passo a passo é:

  1. Definir o limite organizacional: determinar quais unidades, instalações e operações entram no levantamento;
  2. Identificar as fontes por escopo: relacionar combustíveis, processos, energia, transporte, resíduos e demais fontes;
  3. Coletar dados de atividade: reunir litros de combustível, kWh de eletricidade e toneladas de resíduos;
  4. Aplicar fatores de emissão: utilizar referências adequadas a cada fonte, como os fatores do MCTI para a eletricidade do SIN;
  5. Totalizar as emissões: consolidar os resultados em toneladas de CO₂ equivalentes.

Em uma visão resumida, a empresa precisa transformar dados de suas atividades em estimativas de emissões. Ou seja, o processo começa na definição dos limites organizacionais, passa pela identificação das fontes, coleta dos dados de atividade e aplicação dos fatores de emissão adequados. Ao final, os resultados são consolidados em tCO2 equivalente, para comparar fontes e períodos.

O cálculo pode seguir referências como o GHG Protocol, o Programa Brasileiro GHG Protocol e a ISO 14064, conforme o objetivo e os critérios adotados pela organização. No caso da eletricidade, o MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) disponibiliza fatores específicos para o Sistema Interligado Nacional, que apoiam inventários corporativos.

Assim, depois de entender como calcular a pegada de carbono, fica mais fácil distinguir o levantamento realizado do resultado obtido.

Qual a diferença entre pegada de carbono e inventário de emissões?

A pegada de carbono representa o total de emissões de gases de efeito estufa em CO₂ equivalente, enquanto o inventário de emissões é o estudo que reúne fontes, dados, critérios e cálculos utilizados nessa mensuração. Assim, o primeiro expressa o resultado, enquanto o segundo documenta como esse resultado foi obtido.

Na prática, os dois conceitos aparecem próximos porque o indicador depende das informações reunidas no inventário. Compreender essa relação evita tratar o número final como uma informação isolada e ajuda a empresa a preservar os registros que sustentam cada estimativa.

Essa base também prepara o caminho para entender por que medir a pegada de carbono importa para a gestão.

Por que medir a pegada de carbono corporativa?

A mensuração contribui para:

  • atender demandas de investidores e fundos ESG, que consideram informações climáticas na avaliação das empresas;
  • acompanhar o mercado regulado de carbono no Brasil, instituído pela Lei nº 15.042/2024, que criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões;
  • criar diferenciais em licitações e na cadeia de suprimentos, quando clientes e parceiros consideram critérios ambientais;
  • estabelecer uma base para futuros planos de descarbonização, sem antecipar etapas;
  • identificar oportunidades de eficiência energética e reduções nos custos operacionais.

Esse conjunto de demandas reforça a importância de manter os dados da pegada de carbono corporativa organizados e confiáveis. E, a partir dessa base, iniciativas de descarbonização corporativa podem avançar com objetivos mais bem definidos, sem antecipar etapas que dependem do diagnóstico inicial.

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Como a Ambisis ajuda na gestão da pegada de carbono?

A Ambisis ajuda a centralizar dados ambientais e indicadores ESG em uma única plataforma, facilitando o acompanhamento das informações que sustentam a gestão da pegada de carbono. Com os dados organizados, a equipe consegue consultar registros, acompanhar indicadores e reunir informações relevantes para análises ambientais.

Essa centralização também aproxima a mensuração da rotina operacional, já que diferentes informações deixam de ficar dispersas entre planilhas, documentos e áreas. Assim, a gestão ambiental ganha uma base mais organizada para acompanhar resultados e apoiar decisões relacionadas ao desempenho da empresa.

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FAQ

Quais são os escopos 1, 2 e 3 de emissões de carbono?

Os escopos organizam as emissões conforme a relação com a empresa. O Escopo 1 reúne emissões diretas, como a queima de combustíveis em equipamentos e frotas próprias. O Escopo 2 contempla emissões indiretas da energia elétrica comprada. Já o Escopo 3 abrange outras emissões indiretas da cadeia de valor, como transporte de funcionários, logística terceirizada, viagens corporativas e resíduos. 

O que é CO₂ equivalente (tCO₂e)?

CO₂ equivalente é a unidade que padroniza diferentes gases de efeito estufa em uma métrica comum, usando como referência o potencial de aquecimento global do dióxido de carbono. Na prática, gases como metano (CH₄) e óxido nitroso (N₂O) são convertidos em toneladas de CO₂ equivalente (tCO₂e), o que permite somar e comparar emissões de fontes distintas dentro do inventário corporativo.

Por que a pegada de carbono é importante para as empresas?

A mensuração da pegada de carbono permite que a empresa dimensione seu impacto climático, atenda demandas de investidores e fundos ESG, acompanhe exigências regulatórias como o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (Lei nº 15.042/2024), identifique oportunidades de eficiência energética e estabeleça uma base para planos de descarbonização.

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